quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Tantas pessoas procuram alguém para lhes tirar do eixo, revirar a sua vida do avesso, dar-lhes um novo sentido de viver. Apaixonar-se perdidamente é o desejo dos mais românticos sonhadores, os que querem vivenciar um linda história de amor, cheia de rompantes melodramáticos e experiências inusitadas. Já vivi isso. É até bom. Passamos por momentos intensos, vívidos, calorosos. Passamos. Não guardo mágoas, nem saudades, apenas boas lembranças.

Porém, não é sobre meu passado amoroso que quero falar hoje, mas sim, da maneira de se apaixonar. Esses dias, parei pra pensar no termo, “apaixonar-se perdidamente”. Uma expressão forte, remete a uma paixão volumosa, impactante. No entanto, esse “perdidamente” me incomodou. Para se apaixonar é preciso se perder?

O ser humano já é meio desorientado por natureza, confuso, indeciso, como Renato Russo, na canção “Meninos e Meninas”:  “Preciso me encontrar, mas não sei onde estou”. Aí o indivíduo, levemente insano, se apaixona perdidamente e o que acontece? Se lasca todinho, coitado. Sim, se lasca, porque nenhuma paixão é correspondida integralmente, na mesma medida, na mesma intensidade. Cada um tem sua forma de amar, de demonstrar o amor e também de receber o amor.

Não sou desiludido com a paixão e nem descrente do amor. Não duvido que paixões repentinas - quando bem regadas - possam durar para sempre ou até que a morte os separe. Acredito no amor, do meu jeito meio estranho, mas acredito. Só não pretendo me apaixonar perdidamente. Minha meta é me apaixonar “encontradamente” - nem sei se essa palavra existe, mas resolvi utilizar.

Penso dessa forma, por acreditar que o amor deve unir as pessoas, promovendo o encontro, e não a perdição. “Perder-se de mim mesmo; Esqueço até de mim; Sem você eu perco o chão; Você é o ar que eu respiro; O que seria de mim sem você”. São dessas e de outras expressões melosas e piegas que tento fugir. Não quero me esquecer de mim, não quero que minha amada seja o centro da minha vida e nem quero perder a cabeça.

Na verdade, não quero perder nada, somente encontrar. Encontrar alguém que queira ser encontrada. Ela pode até estar perdida – afinal, quem não é meio perdido -, pois não busco perfeição. Busco apenas me encontrar, em mim e em outra pessoa. Procuro um amor que me encontre, e desejo encontrar um amor que me procure. Sei que esse pensamento aparenta ser um tanto pinel, mas a minha lógica – nem tão racional assim – é de simplesmente me encontrar e ajudar que outra pessoa se encontre, para enfim, juntos nos encontrarmos.

Desejo a você, que leu este texto até o final – pra quem não leu, não desejo -, que encontre quem procura, sem precisar se perder, nem se desvencilhar daquilo que é. Simplesmente, encontre e deixe-se encontrar.

Por Rodrigo Martins

4 comentários:

  1. Humm... Muito bem! Fica a pergunta: racionalmente pensando, como não se perder em meio as paixões dessa vida? Boa reflexão!

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    1. Tentativa de resposta: Procurando conhecer bem os próprios limites, ouvindo a voz do coração e prestando atenção nos conselhos da razão.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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