Tantas pessoas procuram alguém para lhes tirar do eixo, revirar a sua
vida do avesso, dar-lhes um novo sentido de viver. Apaixonar-se perdidamente é
o desejo dos mais românticos sonhadores, os que querem vivenciar um linda
história de amor, cheia de rompantes melodramáticos e experiências inusitadas. Já
vivi isso. É até bom. Passamos por momentos intensos, vívidos, calorosos.
Passamos. Não guardo mágoas, nem saudades, apenas boas lembranças.
Porém, não é sobre meu passado amoroso que quero falar hoje, mas sim,
da maneira de se apaixonar. Esses dias, parei pra pensar no termo, “apaixonar-se
perdidamente”. Uma expressão forte, remete a uma paixão volumosa, impactante. No
entanto, esse “perdidamente” me incomodou. Para se apaixonar é preciso se
perder?
O ser humano já é meio desorientado por natureza, confuso, indeciso,
como Renato Russo, na canção “Meninos e Meninas”: “Preciso me encontrar, mas não sei onde estou”.
Aí o indivíduo, levemente insano, se apaixona perdidamente e o que acontece? Se
lasca todinho, coitado. Sim, se lasca, porque nenhuma paixão é correspondida
integralmente, na mesma medida, na mesma intensidade. Cada um tem sua forma de
amar, de demonstrar o amor e também de receber o amor.
Não sou desiludido com a paixão e nem descrente do amor. Não duvido
que paixões repentinas - quando bem regadas - possam durar para sempre ou até
que a morte os separe. Acredito no amor, do meu jeito meio estranho, mas
acredito. Só não pretendo me apaixonar perdidamente. Minha meta é me apaixonar “encontradamente”
- nem sei se essa palavra existe, mas resolvi utilizar.
Penso dessa forma, por acreditar que o amor deve unir as pessoas,
promovendo o encontro, e não a perdição. “Perder-se de mim mesmo; Esqueço até
de mim; Sem você eu perco o chão; Você é o ar que eu respiro; O que seria de
mim sem você”. São dessas e de outras expressões melosas e piegas que tento
fugir. Não quero me esquecer de mim, não quero que minha amada seja o centro da
minha vida e nem quero perder a cabeça.
Na verdade, não quero perder nada, somente encontrar. Encontrar alguém
que queira ser encontrada. Ela pode até estar perdida – afinal, quem não é meio
perdido -, pois não busco perfeição. Busco apenas me encontrar, em mim e em
outra pessoa. Procuro um amor que me encontre, e desejo encontrar um amor que
me procure. Sei que esse pensamento aparenta ser um tanto pinel, mas a minha
lógica – nem tão racional assim – é de simplesmente me encontrar e ajudar que
outra pessoa se encontre, para enfim, juntos nos encontrarmos.
Por Rodrigo Martins

Humm... Muito bem! Fica a pergunta: racionalmente pensando, como não se perder em meio as paixões dessa vida? Boa reflexão!
ResponderExcluirTentativa de resposta: Procurando conhecer bem os próprios limites, ouvindo a voz do coração e prestando atenção nos conselhos da razão.
ExcluirParabéns, ótima reflexão!
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
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