Reclamava do clima que nunca era agradável, ou muito quente, ou muita chuva.
Queixava-se principalmente das pessoas. Falsidade, hipocrisia, falta de caráter.
Aí começava a falar mal dos homens. Todos iguais, sem sentimento, infiéis e safados.
Volta e meia reclamava da política, detonando petralhas e coxinhas. “Nenhum deles presta”, dizia.
Criticava as igrejas e seus membros, alegando que religião foi feita só para enganar as pessoas e arrancar-lhes dinheiro.
Nas redes sociais era a sempre a do contra. Tinha uma opinião amplamente formada sobre tudo, baseada nos títulos das notícias e nos comentários e posts do facebook.
Apesar de ter viajado pouco, não gostava de nada no Brasil e vivia dizendo que a melhor saída seria a Europa.
Agora a vejo ali, deitada, serena, sem reclamar de nada. Alguns até diziam aquela frase clichê: “Parece que está sorrindo”.
Para quem viveu se queixando de tudo e pouco saboreou do belo existente nas pessoas, ao menos manteve um semblante alegre em seu velório.
Por Rodrigo Martins

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